Interesse dos jovens em política tem aumentado


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Postado em 8 de outubro de 2018 às 9:53


Pesquisa Datafolha feita em agosto mostra que os jovens entre 16 e 25 anos são o grupo com maior interesse em participar da política, seja disputando eleição ou assumindo cargo de governo.
Entre os entrevistados, 29% responderam ter muito interesse ou um pouco de interesse em encarar as urnas.
Conforme a idade sobe, diminui a disposição. De 26 a 40 anos, 19% das pessoas respondem dessa forma. Na faixa acima de 41 anos, a taxa é de 15%.
Movimento semelhante ocorre quando a questão é ocupar um posto público, mas sem ter sido candidato. Enquanto 34% das pessoas de 16 a 25 dizem ter interesse na ideia, o percentual é de 30% na ala de 26 a 40 e de 23% no grupo com mais de 41 anos.
A grande maioria em todas as faixas etárias, no entanto, é composta pelos que falam não ter nenhuma vontade de atuar em postos de decisão.
O Datafolha ouviu 2.086 pessoas em 129 cidades (margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos).
Mesmo quando havia interesse pela política, boa parte dos que eram jovens na fase na fase da redemocratização, entre as décadas de 1980 e 1990, ficaram afastados da esfera pública formal.
Algumas dessas pessoas tentam se redimir criando movimentos para estimular a renovação dos quadros, casos dos grupos Agora!, RenovaBR e Raps (Rede de Ação Política pela Sustentabilidade).

Geração atual
“A geração que hoje tem 40 anos fez uma opção por atuar fora da política tradicional e deixou um vazio que a nova geração agora procura preencher”, diz José Marcelo Zacchi, 42, um dos fundadores do Nova Democracia, grupo que se propõe a estimular renovação de práticas nas instituições.
“Quando eu tinha 20 e poucos anos, era um momento de transição democrática, já conduzido por um conjunto de líderes. A grande tarefa não era na política institucional, mas nas políticas: como enraizar as instituições democráticas, como fortalecer a sociedade”, ressalta.

Números
Do ponto de vista numérico, não houve aumento na participação de candidatos mais jovens. Neste ano, só 521 dos 28.617 candidatos no país têm até 24 anos, segundo o TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Representam 2% do total, a mesma porcentagem registrada em 2014. Nas duas eleições anteriores, 2010 e 2006, era 1%.
A fatia de candidatos entre 25 e 44 anos neste ano é de 38%, praticamente imutável em relação aos 39% de 2014, 38% de 2010 e 41% de 2006.
O dado obtido pelo Datafolha, de que um terço dos mais jovens se interessa em estar na política formal, coincide com um fenômeno mundial, segundo a professora da Unifesp Esther Solano, 35, doutora em ciências sociais pela Universidade Complutense de Madri.
“A crise global da democracia levou a duas posturas: de um lado, a negação da política, e de outro, até como reação a isso, os movimentos de renovação política”, afirma ela.
Em vários países, aparecem novos partidos, novas lideranças, sendo que muitas delas são jovens, relata Esther.

Brasil 

No Brasil, especificamente, esse movimento foi reforçado pela grande exposição da política desde 2013. “Várias manifestações, ocupações de escolas e debates aceleraram a politização e fizeram com que jovens passassem a se dispor a participar”, diz a professora.
Ela observa, porém, que não basta ser jovem para significar renovação. “Alguns usam o discurso do novo, mas só reproduzem velhas práticas”, alerta.
O levantamento ainda mostra que 77% dos brasileiros mais jovens já tiveram alguma atuação política informal, enquanto só 19% se filiaram a partidos ou participaram de campanhas.
É uma faixa etária que atua em causas cada vez mais múltiplas e transitórias, e é justamente aí que aparece a desconexão entre a política institucional e os jovens atuantes.